BAIANÊS – A EXPRESSÃO DA CULTURA LOCAL
O Brasil é pródigo em dialetos interessantes, mas a Bahia…
Minha cor, vô lhe da uma idéia./ Colé de mermo, piva?/ Cê tá ligado que cê é minha corrente, né vei?/ Larga o doce./ Tomei um Bob Nelsom, rapá, toquei o zaralho!/ Pow miseré! É cheiro?!/
O diálogo acima pode parecer até sem sentido à primeira vista, mas é apenas uma conversa entre dois amigos, com direito a cumprimento e até confidência. Se ao ler pela primeira vez o trecho acima e o leitor não compreendeu o diálogo, provavelmente não é baiano ou ainda conhece pouco da linguagem extra-oficial da Bahia.
O “papo” do primeiro parágrafo é um bom exemplo do baianês em ação. Segue a tradução:
- Rapaz, tenho que te contar algo / O que tem para me dizer? / Tu sabes que és alguém em que muito confio/ Diga o que quer dizer de uma vez! / Bem, fui traído meu amigo, me passaram a perna/ Puxa vida! que problemão!
Uma verdadeira aula de cultura e história em cada frase
As diferenças na forma como o baiano fala, diferente dos outros, não são apenas mudanças em relação à ortografia, gramática ou sintaxe oficiais, elas também revelam diferenças culturais e influências de fatos e personalidades históricas nas vidas das pessoas que as usam.
A maioria das diferenças encontradas na fala do baiano podem ser divididas em dois grupos; o primeiro deles sendo formado pelas palavras reduzidas como vô (vou), piva, cê(você), rapá (rapaz); o segundo grupo de diferenças é formado pela readaptação de termos que são utilizados tanto dentro como fora de seu contexto original, como a palavra zaralho, que é um termo militar, e a palavra corrente que é uma analogia a um elo, assim como o termo cheiro, que no texto acima quer dizer mentira. Já o Bob Nelson, foi um cantor que retratava em suas músicas a vida do boiadero que falava de gado, desta forma, uma simples conversa de rua pode se tornar uma verdadeira aula de cultura e história.
A Bahia de Jorge, Caetano, Gil e que também é de Zé, Pondé e Malú
Enquanto é fato de que as principais diferenças entre a linguagem do baiano e a norma culta da língua portuguesa podem ser percebidas quando analisamos o uso da acentuações no sufixo das palavras (miseré), e na forma como o alfabeto é pronunciado por muitas pessoas, não podemos negar que suas origens remontam a um “complexo caldeirão cultural” que ferve um pouco ao sul da linha do equador há mais ou menos 500 anos.
A, BÊ, CÊ, DÊ, E, FÊ, GÊ, H,
I, J (Jí), LÊ, MÊ, NÊ, O, PÊ, QÊ,
RÊ, S (SÍ) , TÊ, U, VÊ, X, ZÊ (Alfabeto baiano)
Podemos dizer que construção e característica da linguagem do baiano tem diversas influências que são históricas e culturais. Uma delas é o legado do escritor da baianidade, Jorge Amado, que escreveu sobre aspectos que criaram a imagem da Bahia, não só no Brasil como também no exterior. Quem não reconhece a malandragem, gingado e a malemolência baiana nas obras de Jorge? Além disso, a cultura de matriz africana que deixou um legado em todo português brasileiro, inegavelmente, o fez de forma acentuada na Bahia em referência a culinária, música e outros elementos culturais e também em palavras como angu, marimbondo, calundu, efó, jongo e etc.
De uma forma geral a linguagem do baiano está ligada a mitos e fatos históricos que atravessaram os séculos, como é o caso da expressão “Meu rei” - ela surgiu a partir dos negros que pertenciam a familias nobres na África e quando foram violentamente trazidos ao Brasil, como escravos, utilizavam a expressão “Meu Rei” ou “minha Rainha” como um tratamento cordial entre si, que embora dificilmente utilizada no dia a dia se tornou marca da bahianidade na Mídia nacional, incluindo um dos nossos maiores produtos culturais, a Telenovela.
Outro aspecto marcante do bahianês é a sonoridade musical na forma de falar que empresta ao sotaque um aspecto cantado, muito ligado a um sentimento de calma e sossego. Esses aspectos reforçam o quão plural é a cultura Brasileira, onde cada estado tem sua característica e sua forma de se expressar.
“É Niuma!” – (expressão que finaliza uma conversa).
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Texto – Mia Lopes* (Colaboradora do Nuve(n)Digital)
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Adaptação e Edição: Wanessa Marçal
Wanessa Marcal
Sou estudante de Jornalismo e atualmente estagio em uma emissora de rádio pública, além de fazer free lancer para alguns sites na internet com produção de textos. Já fui responsável pela criação de Textos, Reportagens, agendas, além de inserir, atualizar e dar manutenção nos anúncios no Blog – *Nuven Digital*. Produz e veicula notas para o Blog e distribuição junto à mídia. Experiência com diferencial e Excelência se tratando de público virtual. Habilidade na escrita criativa e na utilização de ferramentas on line (Internet) e Redes Sociais.


