SALVADOR, UMA CIDADE FEITA DE PAPEL OU DE AÇÚCAR?

Salvador
Salvador uma cidade bela mas que precisa se planejar para o futuro.

Acho que muitos citadinos de Salvador já se fizeram esse tipo de pergunta, afinal é chover e a capital baiana parece se dissolver. Porque quando vem o período de chuvas a cidade se transforma em um verdadeiro caos? porque essa situação se repete todos os anos e mesmo sendo um desastre anunciado parece que nada é feito para impedir?

O meio acadêmico, nas áreas de engenharia, de geologia, de urbanismo, entre outras, vem realizando uma série de pesquisas que apresentam bons resultados em termos de prevenção, preparação e respostas aos desastres e às situações de emergências. Pesquisas relevantes tem sido desenvolvidas e aplicadas sobre os aspectos de geotecnia e gerenciamento de risco, psicologia das emergências e desastres, comunicação de riscos, informação geográfica para prevenção e gestão de desastres e participação do meio acadêmico na prevenção e resposta aos desastres.

Na semana em que se comemorou o dia Mundial do Urbanismo (08 de novembro) a cidade foi assolada com as chuvas, segundo a Climatempo, choveu mais do que foi previsto para todo o mês de novembro entre os dias 7 e 9 de novembro. O resultado não podia ser outro, somente na madrugada do dia 7 a Defesa Civil de Salvador registrou oito deslizamentos de terra, cinco ameaças de desabamento, duas ameaças de queda de árvores, duas árvores caídas (uma delas dentro do Campus da UNEB no Cabula) e inúmeros chamados de imóveis alagados, o que levou a Prefeitura a decretar situação de emergência de 90 dias na cidade. No dia 9 de novembro, entre outros desabamentos de imóvel e os 55 deslizamentos de terra que foram registrados pela Defesa Civil na capital baiana, um deslizamento de terra provocou o desabamento de casas no Largo do Santo Antônio Além do Carmo, região do Centro Histórico de Salvador, imóveis vizinhos, situados à beira do barranco ainda correm risco de desabar, os moradores, por não terem para onde ir continuam nos imóveis, e o que podemos esperar? a próxima chuva e mais mortes para contabilizar?

A Prefeitura de Salvador, e os órgãos ligados ao tema, normalmente realizam algumas ações como a construção de encostas e a distribuição de lonas para amenizar a problemática, porém, a cidade cresceu e cresce de maneira espantosa, sem um planejamento adequado, as pessoas se alojam e constroem suas casas em locais inapropriados pondo suas próprias vidas em risco. Uma capital do porte de Salvador não pode mais colocar uma situação tão grave como essa para ser resolvida com um “tapa-buraco”, se faz necessário pensar em projetos de urbanização, para adequar as habitações existentes, propiciando condições dignas de moradia a população, e planejar novas ocupações em outros espaços, evitando assim as tragédias que ocorreram esse ano, e que vem ocorrendo a décadas.

Existem vários projetos e propostas de intervenção elaboradas por Urbanistas (em sua grande maioria egressos do curso de Urbanismo da UNEB) para sanar esses problemas, entretanto, a absorção, pelos órgãos mais ligados ao tema, tem sido pequena. Esse ruído na comunicação entre acadêmicos e órgãos públicos (que não dão a devida importância as pesquisas e avisos provenientes dos meios acadêmicos) traz o agravamento dos vários problemas estruturais e sociais da cidade e quem mais sofre com isso é a população soteropolitana, principalmente a de menor renda.

Com as mudanças climáticas que estão sendo previstas por especialistas as situações de emergências deverão aumentar e se intensificar, provocando mais calamidades e mortes com os próximos períodos de altos índices pluviométricos em Salvador, cabe a população pressionar e se mobilizar exigindo medidas mais preventivas, alicerçadas pelos estudos de profissionais habilitados, e eficazes da gestão da cidade, que não pode mais tratar como secundário algo prioritário para os soteropolitanos. Afinal, queremos uma cidade preparada para os turistas que virão para assistir a Copa do Mundo ou preparada para que nós, que convivemos nesse espaço urbano, possamos ter uma melhor qualidade de vida?

Autor: Cristiano Sampaio Cavalcante (Professor de História e Discente do Curso de Urbanismo da UNEB).

http://lattes.cnpq.br/4568843820825760

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