QUANTO VALE A EDUCAÇÃO E O CONHECIMENTO?

Fonte da Imagem: Wikipédia.

Em 2011, a Secretaria da Administração do Estado da Bahia – SAEB convocou 2.353 professores aprovados em um concurso realizado no ano passado pelo Centro de Seleção e de Promoção de Eventos Universidade de Brasília – CESPE/UNB. Como professor, fiquei entusiasmado em saber que haveriam vagas destinadas a ocupar o déficit de professores que existe em toda rede pública estadual de ensino.

Para minha surpresa, o concurso abriu apenas 3.200 vagas para a Bahia toda, e o mais intrigante ainda era a distribuição das vagas em Salvador, por exemplo para o pólo de Brotas todas as disciplinas (história, matemática, etc.) só possuíam uma vaga a ser disputada pelos candidatos. Dos pólos que mais possuíam vagas destaco o Subúrbio, para suprir toda a demanda de professores do Subúrbio as vagas abertas variaram entre as disciplinas de 1 (espanhol) a 9 (matemática) vagas, para a situação caótica que passa a maioria das escolas públicas estaduais esse número de vagas não corresponde a real necessidade, ficando muito longe disso.

Como afirmei anteriormente, das 3.200 vagas abertas foram convocados apenas 2.353 professores, essa diferença de 847 vagas é fruto de um procedimento equivocado e muito questionado que foi realizado pela CESPE/UNB. Os candidatos do processo seletivo foram submetidos a uma prova objetiva e uma prova discursiva, porém, só tiveram a prova discursiva corrigida os candidatos que ficaram classificados em até três vezes o número de vagas pela correção da prova objetiva, os demais professores foram desclassificados sumariamente (assim como suas provas discursivas).

A prova discursiva também era eliminatória, dos 30 pontos que valiam a parte discursiva o candidato tinha que tirar pelo menos 50% (15 pontos), menos do que isso resultaria na eliminação do candidato, dos classificados na parte objetiva muitos não atingiram os pontos necessários na parte discursiva, alguns pólos não conseguiram candidatos habilitados para ocupar as vagas. Isso foi reflexo da falha em eliminar candidatos somente pela correção da prova objetiva, nem mesmo o concurso de Soldado da Polícia Militar da Bahia, que é muito concorrido, abre mão de corrigir todas as redações, essa atitude para um concurso de professor é inacreditável, inaceitável, e desrespeitoso com os candidatos, comprometendo o principio da isonomia.

A “cereja do bolo” para o edital veio no quesito remuneração, pasmem vocês que o valor oferecido para os professores foi de R$ 654,32 por 20 horas semanais e a taxa de inscrição foi de R$ 70,00 (10,69% do salário para vaga).

Oswaldo Barreto, Secretário de Educação da Bahia ainda divulgou na mídia que a remuneração paga pelo Estado da Bahia era superior ao piso nacional dos professores, o que não é uma inverdade (já que o piso salarial dos professores estabelecida pelo Supremo Tribunal Federal é de R$ 1.187,97 por 40 horas), mas não diminui a tamanha vergonha e injustiça com os professores. Os educadores não são valorizados e não possuem remuneração equivalente ao tempo de formação (4 anos), enquanto um professor recebe R$ 1.187,97 por 40 horas, um engenheiro recebe o equivalente a nove salários mínimos (R$ 5.040) pela mesma carga-horária trabalhada, o engenheiro leva 5 anos para se formar, um ano há mais que um professor, porém recebe 324% há mais.


Essa desvalorização do professor tem raízes históricas, antigamente o magistério era exercido apenas por mulheres, que recebiam baixos salários, o que era justificado pelo papel de submissão e desigualdade das mulheres na sociedade tradicional machista. A concepção da época era que a mulher não precisava ganhar bem, pois o seu salário era para suas “futilidades” (roupas, perfumes, etc). Era o homem que tinha a obrigação de prover as despesas da casa, esse discurso servia para manter as mulheres dependentes e sob o controle masculino.

O tempo passou, mas a educação continua sendo desprestigiada e mal remunerada, qual o valor que vocês, caros leitores, acham que vale pagar para que seus filhos tenham uma formação de qualidade? quanto custa para adquirir o conhecimento requisitante para sermos bons cidadãos, médicos, engenheiros, afinal todo bom engenheiro teve bons professores, do contrário sozinho ele não se faria.

Ser professor no Brasil hoje é um desafio, é ser herói, é enfrentar triplas jornadas com salas lotadas, salários humilhantes, desrespeito e descaso no que tange a sua profissão, sem nem mesmo ser reconhecido socialmente pelo sacrifício diário, pensem nisso…

Texto de Cristiano Sampaio Cavalcante com edição de Cícero Sena e Fábio Batista

http://lattes.cnpq.br/4568843820825760

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