MÚSICA DE QUALIDADE: RISCO DE EXTINÇÃO!

Fonte: Wikipédia - Artista: Lorenzo Costa (1460–1535) Título: A Concert

A música é uma forma de arte, que não se sabe com precisão quando se originou, a certeza é que ela acompanha o ser humano desde o período pré-histórico. Ela é considerada por diversos autores como uma prática cultural humana, e atualmente não se conhece nenhuma civilização ou agrupamento que não possua manifestações musicais próprias. Embora nem sempre seja feita com esse objetivo,  pode ser considerada como uma forma de arte.

A criação, a performance, o significado e até mesmo a definição de música variam de acordo com a cultura e o contexto social. A música vai desde composições fortemente organizadas (e a sua recriação na performance), música improvisada até formas aleatórias.

A musica pode ser dividida em gêneros e subgêneros, contudo as linhas divisórias e as relações entre     tipos de música são muitas   vezes sutis, algumas vezes abertas à interpretação individual e ocasionalmente controversas.

Dentro das “artes”, a música pode ser classificada como uma arte de representação, uma arte sublime, uma arte de espetáculo. Devo esclarecer que a música é a composição instrumental de uma canção, a união do instrumental (música) com a letra forma a canção É fato que na prática as pessoas quando se referem a música, estão associando  música ao mesmo sentido de canção Nos últimos anos houve um aumento quantitativo na produção de novas canções, porém, no critério qualitativo, a queda foi drástica e a tendência é piorar cada vez mais.

Que saudades do tempo em que as músicas realmente possuíam letras com um conteúdo riquíssimo! Atualmente poetas como Renato Russo estão em extinção, e pipocam exageradamente pessoas medíocres no cenário musical brasileiro que se intitulam “músicos que compõe e interpretam canções” (com todas as aspas possíveis).


O povo anseia por arte e cultura, mas, infelizmente, o povo se contenta com muito pouco… “Canções” com letras e melodias cada vez mais pobres se tornam grandes sucessos. Isso ocorre devido a facilidade de assimilação e repetição das mesmas, afinal não é difícil memorizar e cantar uma “letra” que o refrão repete demasiadamente “rebolation tion…”, por exemplo.

Não estou afirmando que as pessoas sejam ignorantes, é uma simples situação de comodismo e uma certa preguiça de pensar, afinal atualmente as pessoas tem preferido assistir a TV do que ler um livro, então é mais fácil também ouvir uma música que não leva a nenhuma critica, que não demanda nenhum tipo de reflexão, é só ouvir a melodia, balançar o corpo e esvaziar a mente… Para assegurar o contexto ideal de aceitação do público, é utilizado o recurso do apelo sexual e das coreografias associadas para atribuir um sentido mais vulgar e de duplo sentido possível.

Não podemos esquecer que as mulheres fazem parte do grupo que mais apreciam e defendem esse tipo de “música”, e o mais engraçado e/ou estranho é que normalmente elas são depreciadas nas “letras”.

Resta-me uma duvida: será que as mulheres são ofendidas e rotuladas por opção delas ou por falta de opção, ou pelas duas opções? Os pagodeiros, funkeiros, e outras categorias que “produzem” esse tipo de “canção” não estão errados, afinal eles estão ganhando dinheiro com aquilo que eles produzem, então se tiver alguém errado nessa história são as pessoas que consomem, valorizam e financiam esse tipo de “produção”.

Com ar de saudosismo continuarei ouvindo verdadeiras canções de qualidade e riqueza tanto em letra como em melodia, canções como essas são pequenas ilhas nesses verdadeiros oceanos de falta de talento e criatividade que nos cercam. Espero que a sociedade não sucumba culturalmente nesse tsunami de mediocridades musicais. Talvez seja bom refletir antes de se deixar levar pelos “tchubirabirons” da vida…

Texto de Cristiano Sampaio Cavalcante com edição de Cícero Sena

6 Comentários para: “MÚSICA DE QUALIDADE: RISCO DE EXTINÇÃO!

  1. Parei de ler quando disse grande poeta, renato russo……kkkkkkkkkkkk
    e ainda quer dar lição de moral sobre qualidade musical. Eu gosto de música erudita e acho que legião urbana pra mim tem a mesma conotação que o funk tem pra vc….e ae, como fica?

  2. Luis,
    Obrigado pelo comentário. É sempre bom escutar opiniões diferentes da nossa. Não tenho a pretensão de ter uma opinião que agrade a todos e que todos concordem, a minha produção textual é uma representação individual construída de acordo com as minhas referências e valores do campo intelectual e musical, se você acredita que Renato Russo era “funkeiro” é um concepção sua, que não concordo, porém, respeito!

    De qualquer forma não é a minha intenção dar lição de moral a ninguém. A mensagem que queria passar é que se as pessoas refletirem um pouco sobre a degeneração e decadência musical que estamos enfrentando no cenário nacional para mim já me dou por satisfeito. E você? Tem um blogue ou site de sua autoria? Quais músicas eruditas gosta de ouvir? Qual delas indicaria para alguém que nunca ouviu? um ouvinte de primeira viagem?

  3. Concordo plenamente contigo, Khrystiano. Mas, infelizmente, o que as gravadoras e rádios querem é dinheiro, e o que dá dinheiro são essas modinhas. O bom daquele tempo é que as músicas de qualidade eram a moda.
    Quanto ao Renato Russo, gosto muito de suas composições e ele realmente era poeta, tanto que muitos citam até hoje ele como poeta.
    Abraço.

  4. Luis, aparentou que você quis dar um tom de superioridade ao dizer que escuta música erudita. Veja o que João Carlos Martins fala sobre o termo erudito ou como Robson Miguel refere-se ao termo. Quanto a Renato Russo, adoro as músicas dele, não acho ele do outro mundo, foi um bom cantor e participava de uma boa banda.

  5. Concordo com o Kristiano. O Renato Russo teve seus momentos de auge com o Legião Urbana, quanto a ser um poeta, pode-se dizer que em muitas de suas letras a exemplo disso temos “Perfeição”, “Vento no Litoral”, “Índios”, “Que País é Este”, ou seja, consegue-se identificar uma preocupação poética na composição e, mais ainda, há intenção de criticar, informar e refletir. Acredito que muitos cantores de décadas atrás tinham o trabalho de compor. Infelizmente, o mercado fonográfico viu uma fonte de riqueza em lucrar com músicas pobres e repetitivas. Ainda bem que hoje existe a internet onde posso baixar o que gosto de ouvir.

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