DISLÉXICOS SENTEM DIFICULDADE COM A REFORMA ORTOGRÁFICA

Dislexia um problema de muitos
Dislexia um problema de muitos

Conviver com a dislexia já não era uma tarefa fácil, mas  recentemente ficou mais complicada graças a implementação da reforma ortográfica da língua portuguesa.

Desde que a reforma entrou em vigor em janeiro de 2009, todo aquele que escrevem na língua portuguesa e não tem o tempo para voltar a escola tem enfrentado dificuldades com ela. Entretanto, os disléxicos, cerca de 6 a 10% da população encontram um  problemas um pouco maior no meio de tudo isto. O que acontece devido a dificuldade que eles teme de reconhecer símbolos escritos. Para quem passou 11 anos tentando aprender regras gramáticais e de gráfia, a simples mudança de colocação de acentos e símbolos gramaticais torna a vida de muitos disléxicos bem mais difícil.

O disléxico adulto de hoje, aquele que chegou a universidade, teve que estudar gramática normativa durante quase dez anos e que provavelmente contou com auxilio no processo, agora terá que rever muitos dos seus dispositivos  es estratégias criados para lidar com a doença.

Outra característica da reforma ortográfica que agrava a doença é o fato de que muitos disléxicos e outras pessoas com “distúrbios do aprendizado” tem dificuldade em aprender informação sistematizada na mesma velocidade que a população mediana e isto inclui a utilização de símbolos novos, e como palavras são simbolos dos mais complexos por tanto entender as novas regras da utilização de acentos não vai ser fácil.

A grande questão que fica é  ninguém pensou nisso quando realizaram a reforma? E será que a reforma buscou deixar a língua mais fácil de aprender ou ser ensinada? O que  você acha?

Um Comentário para: “DISLÉXICOS SENTEM DIFICULDADE COM A REFORMA ORTOGRÁFICA

  1. A dislexia como fracasso inesperado
    por Patrícia Fernando, sexta, 22 de Julho de 2011 às 20:49 ·
    A dislexia como fracasso inesperado

    A dislexia escolar é um fracasso inesperado. A escola e o aluno oferecem condições objetivas para o aprendizado da leitura. No entanto, a aprendizagem falha – na verdade, falha o método de ensino de leitura levado a efeito pelo docente.
    A dislexia, segundo Jean Dubois et al. (1993, p. 197), é um defeito de aprendizagem da leitura, caracterizado por dificuldades na correspondência entre símbolos gráficos, às vezes mal reconhecidos, e fonemas, muitas vezes mal identificados.
    A dislexia, segundo o lingüista, interessa de modo preponderante tanto à discriminação fonética quanto ao reconhecimento dos signos gráficos ou à transformação dos signos escritos em signos verbais.
    Assim, para a lingüística, a dislexia não é uma doença, mas um fracasso inesperado (defeito) na aprendizagem da leitura, sendo, pois, uma síndrome de base pedagógica e lingüística.
    A dislexia também não é desleixo, é uma diferença individual de aprendizagem, uma espécie de ritmo ou de variação “lectogênica” (maneira de ler) que cada educando tem para aprender a ler, por força de sua idiossincrasia lingüística.
    A dislexia, aquela persistente com o passar dos anos, pode ser descrita, explicada e sofrer a intervenção psicopedagógica. As causas ou a etiologia da síndrome disléxica são de diversas ordens, e dependem do enfoque ou da análise do investigador. Aqui, tendemos a nos apoiar em aportes da análise lingüística e cognitiva, ou simplesmente da psicolingüística.
    Muitas das causas da dislexia resultam de estudos comparativos entre disléxicos e bons leitores. Podemos indicar as seguintes hipóteses: a) de déficit perceptivo; b) de déficit fonológico; c) de déficit na memória.
    Atualmente, os investigadores na área de psicolingüística aplicada à educação escolar apresentam a hipótese de déficit fonológico para justificar, por exemplo, o aparecimento de disléxicos com confusão espacial e articulatória. É sobre essa hipótese que fundamentamos nossos comentários sobre a síndrome da dislexia.
    Desse modo, são considerados sintomas da dislexia relativos à leitura e escrita os seguintes erros:
    1. Erros por confusões na proximidade especial: a) confusão de letras simétricas (p-b, d–q); b) confusão por rotação; c) inversão de sílabas.
    2. Confusões por proximidade articulatória e seqüelas de distúrbios de fala: a) confusões por proximidade articulatória (fonemas surdos e sonoros como /g/ e /k/, como em /katu/ por /gatu/); b) omissões de grafemas; c) omissões de sílabas.
    As características lingüísticas das habilidades de leitura e escrita mais marcantes das crianças disléxicas são:
    Acumulação de erros de soletração ao ler e de ortografia ao escrever, além de persistência nesses erros;
    Confusão entre letras, sílabas ou palavras com diferenças sutis de grafia: a-o; c-o; e-c; f-t; h-n; i-j; m-n; v-u etc.;
    Confusão entre letras, sílabas ou palavras com grafia similar, mas com diferente orientação no espaço: b-d; b-p; d-b; d-p; d-q; n-u; w-m; a-e;
    Confusão entre letras que possuem um ponto de articulação comum e cujos sons são acusticamente próximos: d-t; j-x;c-g; m-b-p; v-f;
    Inversões parciais ou totais de sílabas ou palavras: me-em; sol-los; som-mos; sal-las; pal-lap.
    Segundo Mabel Condemarín (1987, p. 23), outras perturbações da aprendizagem podem acompanhar os disléxicos:
    Alterações na memória;
    Alterações na memória de séries e seqüências;
    Orientação direita-esquerda;
    Linguagem escrita;
    Dificuldades em matemática;
    Confusão com relação às tarefas escolares;
    Pobreza de vocabulário;
    Escassez de conhecimentos prévios (memória de longo prazo).
    Nesse ponto, uma pergunta pode surgir: que fatores ou causas de ordem pedagógico-lingüística favorecem a aparição das dislexias? De modo geral, indicaremos causas de ordem pedagógica, a começar por:

    Atuação de docente não-qualificado para o ensino da língua materna (por exemplo, um professor ou uma professora sem formação superior na área de magistério ou sem formação pedagógica em nível médio, que desconheça a fonologia aplicada à alfabetização ou os conhecimentos lingüísticos e metalingüísticos aplicados aos processos de leitura e escrita);
    Crianças com tendência à inversão;
    Crianças com deficiência de memória de curto prazo;
    Crianças com dificuldades na discriminação de fonemas (vogais e consoantes);
    Vocabulário pobre;
    Alterações na relação figura-fundo;
    Conflitos emocionais;
    Meio social;
    Crianças com dislalia;
    Crianças com lesão cerebral.
    No caso da criança em idade escolar, a psicolingüística define a dislexia como um déficit inesperado na aprendizagem da leitura (dislexia), da escrita (disgrafia) e da ortografia (disortografia) na idade em que essas habilidades já deveriam ter sido automatizadas. É o que se denomina “dislexia de desenvolvimento”.
    No caso do adulto, quando tais dificuldades ocorrem depois de um acidente vascular cerebral (AVC) ou traumatismo cerebral, dizemos que se trata de dislexia adquirida.
    A dislexia, como dificuldade de aprendizagem verificada na educação escolar, é um distúrbio de leitura e de escrita que ocorre na educação infantil e no ensino fundamental. Em geral, a criança tem dificuldade em aprender a ler e escrever e, especialmente, em escrever sem erros de ortografia, mesmo tendo o Quociente de Inteligência (QI) acima da média.
    Além do QI acima da média, o psicólogo Jesus Nicasio García assinala que devem ser excluídas do diagnóstico do transtorno da leitura as crianças com deficiência mental, com escolarização escassa ou inadequada e com déficits auditivos ou visuais. (1998, p. 144).
    Tomando por base a proposta de Mabel Condemarín (l989, p. 55), a dificuldade de aprendizagem relacionada com a linguagem (leitura, escrita e ortografia) pode ser inicial e informalmente (um diagnóstico mais preciso deve ser feito e confirmado por um neurolingüista) diagnosticada pelo professor de língua materna (formado em letras e com habilitação em pedagogia), que pode realizar uma medição da velocidade da leitura da criança, utilizando, para tanto, a seguinte ficha de observação, com as seguintes questões a serem prontamente respondidas:
    A criança movimenta os lábios ou murmura ao ler?
    A criança movimenta a cabeça ao longo da linha?
    Sua leitura silenciosa é mais rápida que a oral ou mantém o mesmo ritmo?
    A criança segue a linha com o dedo?
    A criança fixa excessivamente o olho na linha impressa?
    A criança demonstra excessiva tensão ao ler?
    A criança efetua excessivos retrocessos da vista ao ler?
    Para o exame dos dois últimos pontos, é recomendável que o professor coloque um espelho do lado oposto à página que a criança lê. O professor coloca-se atrás do aluno e, nessa posição, pode ver os movimentos dos olhos da criança no espelho.
    O cloze, que consiste em pedir à criança para completar certas palavras omitidas no texto, também pode ser um importante aliado na determinação do nível de compreensibilidade do material de leitura

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