DISLEXIA – ORGANIZAÇÃO, RESULTADOS E MEMÓRIA

Para compreendermos melhor o problema da falta de organização percebida em algumas pessoas disléxicas torna-se necessário revermos o próprio conceito de organização. Para isto, precisamos perceber esta qualidade como algo que vai muito além da capacidade de alinhar objectos em uma superfície ou ambiente, seguindo uma determinada ordem ou padrão, e começar a pensar nela, mais como, a capacidade de organizar ideias para se chegar a resultados específicos.


Este artigo faz parte de uma série sobre a dislexia e suas soluções, e os interessados em ler todos eles podem clicar aqui.


Quebra cabeças

Quebra cabeças - Dislexia e Organização

Ao contrário do que alguns possam pensar, organização não é simplesmente aprendida por observação. Enquanto é verdade que algumas pessoas conseguem decifrar o meio pelos fins, o método pelos resultados, a maioria de nós ainda necessitamos ser ensinados a nos organizar durante toda nossa vida. Basta olhar ao mundo a nossa volta para perceber que organização não é uma qualidade nata.

Assim sendo, não basta pedir que alguém seja organizado é necessário ensina-los e mostrar como alcançar esta organização. O trabalho de organização é tanto mental quanto físico, é precisa ser aprendido; ou seja, se não conseguirmos organizar as coisas em nossa mente,  dificilmente conseguiremos organiza-las na realidade ao nosso redor.

Organização e Resultados

Para se obter o resultado que chamamos de organização, muitos de nós precisamos aprender como fazer a manipulação mental de objetos, eventos e coisas, necessárias para se obter a sequência desejada que chamamos de resultado. (ex. Se eu quero organizar o meu quarto, terei que manipular os objetos na minha mente, travesseiros, sapatos, meias e instrumentos musicais de acordo com seus fins e interações até saber qual ação eu realizo primeiro, qual realizo em segundo lugar, qual em terceiro, etc.  Na mente da maioria das pessoas este processo acontece tão rápido que elas nem se dão conta dele.

Se não realizo o processo descrito acima, acabarei colocando objetos em lugares que não são os seus). Este exemplo reinforça a necessidade de percebermos a organização como a habilidade de alinhar pensamentos e ideias dentro de nossas próprias cabeças e não apenas como a capacidade de organizar objetos no mundo real ou eventos em nossas agendas de papel.

Memória e Organização

A memória humana se encaixa nesta situação como elemento complicador da capacidade de organização dos disléxicos. Mas aqui não me refiro a toda a memória do ser humano, mas sim a capacidade de focalizar a atenção e reter informação sobre um determinado evento na mente, por um limitado período de tempo. Os cientistas chamam esta memória de memória de trabalho.

São problemas com este tipo de memória que mais afeta pessoas disléxicas, limitando sua capacidade de interação e velocidade de resposta a alguns estímulos. Para  amelhor entendermos, podemos visualiza-la como uma folha de papel branco ou como uma mesa de trabalho. Quanto maior a mesa ou a folha mais informações poderemos manipular e organizar nelas. Quanto menor elas forem menor quantidade de informação poderemos manipular em um dado período de tempo.

Mas como o tamanho de nossas mesas e folhas de papel não representam nossa capacidade intelectual mas simplesmente a nossa capacidade física de processamento de dados: variações em nossa memória de trabalho não podem ser aceitas como representantes de nossa capacidade intelectual.

O importante em tudo isto, é que, fica claro como a memória não pode ser vista como a única medida da inteligência. No máximo, constitui um elemento dela. Como o caderno não é a escola e a bela cantora não é a música, mas sim, apenas elementos uns dos outros. Assim, como seres humanos diferentes, possuímos memórias de trabalho diferentes e por mais que tentemos não somos capazes de organizar ideias, objetos e sequências na mesma velocidade e forma uns dos outros.

Entendendo o conceito

Para exemplificar o efeito da memória de trabalho na capacidade de organização vamos usar o como exemplo o trabalho de um arquiteto. Arquitetos e engenheiros usam um mapa chamado de planta para organizar os detalhes de um prédio, estrutura ou construção de forma que, estes sejam construídos garantindo a segurança dos usuários e o investimento do cliente.

Como a quantidade de informação em uma obra é muito grande para a memória de trabalho de qualquer humano carregar, usamos uma extensão ou memória extra, isto é,  a planta, para recorrermos quando precisarmos da informação contida nela. Este exemplo indica que Disléxicos também podem usar de mecanismos semelhantes, extensores de memória, para concluir tarefas e se sair melhor tanto na escola, quanto no trabalho.

Assim, disléxicos com problemas precisam de autoconhecimento. Conhecer os limites de sua memória e a habilidades compensatórias que possuem, para assim saberem quando é hora de usar técnicas de suporte. Uma das soluções para problemas de organização é o uso da chuva de ideias e mapas mentais como apontados no post anterior.

Então, depois de tudo isto percebemos que o problema aqui não é a dislexia, limitações na memória ou inteligência, mas sim uma deficiência de vontade para fazer as modificações necessárias para a inclusão de pessoas iguais a nós em suas diferenças.

Fabio Santos

Fábio gosta de comunicação e direito, é apaixonado por Interatividade, empreendedorismo e tecnologia. Criou o curso em vídeo com 10 aulas, que ensina as pessoas a usar a internet para gerar renda de forma simples e prática. O nome do curso é Como Trabalhar de Casa com a Internet.

Fabio Santos

Sobre: Fabio Santos

Fábio gosta de comunicação e direito, é apaixonado por Interatividade, empreendedorismo e tecnologia. Criou o curso em vídeo com 10 aulas, que ensina as pessoas a usar a internet para gerar renda de forma simples e prática. O nome do curso é Como Trabalhar de Casa com a Internet.

4 Comentários para: “DISLEXIA – ORGANIZAÇÃO, RESULTADOS E MEMÓRIA

  1. Pingback: AS 6 TECNOLOGIAS QUE REVOLUCIONAM A VIDA DOS DISLÉXICOS | Nuvendigital

  2. Eu diria que a organização é inimiga da criatividade. Os dislexicos são por muitos considerados como pessoas criativas é possível que essa criatividade tenha a ver com a desorganização mental.
    Nos os portugueses somos vistos pelos europeus do norte como um povo desorganizado mas capaz de resolver qualquer tipo de problema com poucas condições (criatividade)

    • Obrigado pelo seu comentário Álvaro, Concordo com o que diz, a primeira vista a dislexia é realmente inimiga da organização. O que muda aqui é que se imaginarmos organizações e não uma única forma de se organizar a dislexia, ou o pensamento lateral comumente ligado a ela, se torna uma verdadeira ferramenta dentro dos processos criativos. As vezes o problema não é a organização e sim a imposição de uma única forma de se organizar. Que no caso da Europa funcionou para os Europeus do Norte e não tanto para os portugueses. Um ótimo dia para você!

  3. Pingback: V Congresso Internacional De Dislexia E Distúrbios De Aprendizagem |

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