CONSCIÊNCIA NEGRA – AS MUDANÇAS DA NEGRITUDE NO BRASIL
87% da população nacional admite que existe discriminação racial no Brasil, porém apenas 4% se considera racista.
Celebrar a inclusão do negro na sociedade – não mais como um escravo e sim como um cidadão normal, é o objetivo da comemoração ao Dia da Consciência Negra, festejado em 20 de novembro. A data foi escolhida em homenagem a Zumbi dos Palmares, o último líder do Quilombo dos Palmares, que foi morto nesta data e se tornou um símbolo da resistência e luta contra a escravidão.
Passados 316 anos da morte de Zumbi – um dos primeiros brasileiros a defender a cidadania racial no país, – e 123 anos após a abolição da escravatura, o racismo continua sendo um problema social. Uma pesquisa realizada pela Fundação Perseu Abramo revelou que 87% da população nacional admite que existe discriminação racial no Brasil, porém apenas 4% dos intrevistados se considera racista.
Depois do continente africano, o Brasil é nação que mais concentra negros no mundo, e também aquela onde os negros são maioria nas classes mais baixas. No entanto, por intermédio de manifestações e debates sociopolíticos, os movimentos sociais afro-brasileiros transformaram e buscam transformar ainda mais a realidade da negritude no país.
Dentre as conquistas obtidas até hoje, está a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial, ocorrida no ano passado(2010). O regulamento contém 69 artigos e contempla áreas como educação, defesa dos direitos das comunidades remanescentes de quilombos e proteção de religiões de matrizes africanas, além de apresentar respostas para a inserção da população negra nos meios de comunicação de massa.
Nos últimos anos a presença dos negros deixou de ser uma raridade entre os campos da sociedade. O país, apesar de viver num regime democrático, está longe de viver em plena igualdade social, porém algumas mudanças já podem ser percebidas. A quantidade de pessoas negras no ensino superior público, por exemplo, cresceu de 314 mil para 530 mil . No privado o crescimento foi ainda maior – de 447 mil para 1,6 milhão.
Apesar da maior visibilidade dos afrodescendentes, estudiosos ainda veem o preconceito como um dos grande problemas nacionais. Respeitado internacionalmente pelas suas ideias sobre desenvolvimento urbano e globalização, o geógrafo Milton Santos, falecido desde 2001, dizia que aguardava o dia em que ser negro no Brasil fosse simplesmente ser brasileiro. “Ser negro no Brasil é frequentemente ser objeto de um olhar vesgo e ambíguo” dizia Milton.
Cris Manaia - Colaborador Nuve(n) Digital
Edição: Wanessa Marçal




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