EXCESSO DE INFORMAÇÃO E A FADIGA MENTAL
O cérebro não é feito de músculos mas cansa. O fato de vivermos em uma era de excesso de informações não é novidade, mas, qual o impacto de toda esta informação em nossas atividades diárias, em nossa vida? Um grande volume de coisas para ler, revisar ou mesmo fazer acaba consumindo nossa energia pessoal.
Foi por isto que com base no livro Will-power: Rediscovering the Greatest Human Strength de Roy F. Baunmeistter e John Tierney, a The New Yourk Times Magazine , publicou um artigo apontando como a fadiga mental pode trabalhar contra nossos objetivos.
Em uma pesquisa feita com 1.100 decisões judiciais ao longo de um ano, descobriu-se que havia um padrão determinante para uma pessoa presa sair em liberdade condicional. Esse padrão, por incrível que pareça, não tinha nada a ver com o caso, com as provas etc., e sim com o horário em que o réu foi julgado. Setenta por cento dos prisioneiros que foram julgados pela manhã receberam liberdade condicional, enquanto aqueles cujo julgamento feito no fim da tarde receberam essa concessão em menos de 10% dos veredictos.
Bem, se você for preso informe seu advogado do horário apropriado para levá-lo ao tribunal. Esta atitude pode representar a diferença entre a liberdade e xilindró. O que o estudo indicou é que as sentenças judiciais são bastante influenciadas por fatores externos como a fadiga mental e até a periodicidade em que o juiz se alimenta. Essa fadiga mental não afeta apenas os juízes, mas a nós todos, quando, por exemplo, temos de decidir se compramos ou não uma determinada roupa, se priorizamos a tarefa A ou a tarefa B, se aceitamos o convite para uma festa ou se vamos escolher esse ou aquele livro para ler.
O excesso de informações afeta diretamente nossas decisões porque estamos com pouca energia mental. Quanto mais decisões precisamos tomar ao longo do dia, mais perdemos o poder de decidir. Com isso, às vezes evitamos decidir, resistimos a qualquer mudança ou risco. O cérebro cansado toma um atalho nessas horas: não fazer nada.
Cientificamente falando, sabe-se que nossa “força de vontade” pode estar totalmente associada ao nível de energia mental que temos. Se você resiste logo cedo a comer um doce, depois ao delicioso bufê de sobremesa, talvez no fim do dia seja difícil resistir a outras tentações.
Já outro experimento feito com pessoas em um shopping mostrou essa relação. Os pesquisadores perguntaram aos clientes sobre suas experiências nas lojas durante aquele dia e então pediram a eles que resolvessem o máximo possível de problemas aritméticos. O resultado mostrou que os compradores que haviam tomado muitas decisões nas lojas desistiram mais rápido dos exercícios. Provando que a fadiga mental afeta diversos aspectos das escolhas que fazemos na vida. A tendência é de que, movido pelo cansaço, você tome decisões erradas. Isso acontece porque nosso cérebro depende diretamente da nossa capacidade de fornecimento de energia.
O cérebro, como o restante do corpo, extrai energia da glicose, o açúcar produzido a partir de qualquer alimento. Ele não para de funcionar quando o nível de glicose é baixo, simplesmente deixa de fazer algumas coisas e faz outras. O cérebro responde fortemente a recompensas imediatas e presta menos atenção às possibilidades de longo prazo. Ou seja, mesmo que você esteja bastante empenhado em manter uma dieta, se seu nível de glicose estiver muito baixo, vai ser difícil aguentar quando lhe oferecerem uma deliciosa bomba de chocolate. O prazer imediato vai sobrepujar a sua força de vontade, algo como se seu cérebro dissesse: “É só uma pequena bomba, não vai fazer mal algum, e eu já comi salada no almoço”.
É claro que muitas pessoas discordam dessa tese. Isto também por ser uma referência internacional e não brasileira, mas não nego que eu acredito nela. Depois que a vi no livro Equilíbrio e Resultado de Christian Barbosa, onde este fez uma pesquisa nacional em parceria com a revista Você S/A relacionada ao assunto em que, a pesquisa mostra que 80% das pessoas enrolam durante o expediente de trabalho. Isto mesmo, enrolação, entre 30 minutos e 3 horas diárias. No fim das contas acontece que quando estamos enrolando estamos na verdade resistindo a algum desejo nosso como a vontade de comer, de dormir, de se divertir de dar um tempo no trabalho jogando etc.
Quanto mais usamos o autocontrole para resistir a esses desejos mais glicose consumimos, mais fadigados ficamos e menos decisões adequadas tomamos. Mundo cruel. Mais do que nunca precisamos entender esses mecanismos e desenvolver um processo constante de renovação de nossa energia.
felipecorreia
in constant pursuit of entrepreneurship, for passion! Fundador da ACRIA | Aprendizado Criativo, a favor da inovação, apaixonado por tecnologia e Empreendedorismo. Você irá falhar 100% das vezes que você não tentar! @felipecorreiac @a_cria






